Diagnóstico do câncer de próstata: biópsia e estadiamento

Quando os exames de rastreamento — PSA elevado ou toque retal alterado — apontam suspeita de cáncer de próstata, o passo seguinte é a confirmação diagnóstica. Esse processo envolve, primarily, a biópsia prostática, seguida de exames de estadiamento para determinar a extensão da doença. Vamos entender cada etapa.

A biópsia prostática

A biópsia é o único exame capaz de confirmar o diagnóstico de cáncer de próstata. O procedimento mais utilizado é a biópsia transretal orientada por ultrassom (BTUS), realizada por via transretal com anestesia local ou sedação leve. Através de uma sonda de ultrassom introduzida no reto, o médico obtém imagens em tempo real da próstata e, com uma agulha especial, retira pequenos fragmentos (geralmente de 10 a 14) para análise anatomopatológica.

Como toda biópsia, existe um risco de complicações. As mais comuns são sangramento retal e hematúria (sangue na urina), geralmente autolimitados. A bacteremia (bactérias na corrente sanguínea) e a prostatite aguda são menos frequentes, mas possíveis, sendo ??adas com antibioticoterapia antes do procedimento.

Escala de Gleason e ISUP

O patologista examina os fragmentos ao microscópio e classifica a agressividade do tumor pela Escala de Gleason, que pontua de 1 a 5 a aparência das glândulas cancerosas. A soma dos dois padrões mais prevalentes resulta no chamado escore de Gleason (variando de 2 a 10). Quanto maior o escore, mais indiferenciado e agressivo tende a ser o tumor.

Em 2014, a Organização Mundial da Saúde adotou o sistema Grade Group (Grupos de ISUP), mais intuitivo: cinco categorias de 1 a 5, onde o Grupo 1 corresponde a tumores de baixo risco e o Grupo 5 aos mais agressivos. Hoje, é o sistema preferencialmente utilizado nos laudos anatomopatológicos.

Estadiamento: qual a extensão da doença?

Confirmado o diagnóstico, é necessário avaliar se o tumor está restrito à próstata ou já se disseminou. O estadiamento segue o sistema TNM (Tumor, Nós linfáticos, Metástases), e determina em qual dos seguintes grupos o paciente se encontra:

— Tumor localizado: cáncer confinato à próstata, sem acometimento de outros órgãos. Corresponde aos estágios I e II.
— Doença localmente avançada: tumor que se estende além da cápsula prostática ou atinge as vesículas seminais, mas sem metástases à distância. Estágio III.
— Doença metastática: presença de implantes tumorais em ossos, linfonodos à distância ou outros órgãos. Estágio IV.

Exames de estadiamento

Para tumores de baixo risco, o estadiamento costuma ser clínico (baseado no toque retal, PSA e achados da biópsia), sem necessidade de exames adicionais. Para doenças de risco intermediário ou alto, são solicitados:

— Ressonância magnética da pelve: mostra com precisão a extensão local do tumor, o comprometimento da cápsula e das vesículas seminais.
— Cintilografia óssea: detecta metástases em ossos, olocalization mais comum de disseminação do cáncer de próstata.
— PET-CT com PSMA: exame de medicina nuclear cada vez mais utilizado para identificar metástases com alta sensibilidade, utilizando um radiofármaco que se liga à proteína PSMA (antígeno de membrana prostático específico), superexpressa nas células do cáncer de próstata.

Com o diagnóstico e estadiamento definidos, o urologista e a equipe multidisciplinar podem indicar o tratamento mais adequado para cada situação.

Leia o artigo anterior desta série: PSA e toque retal: entenda os exames de rastreamento — https://urologistadrbrunomuller.com.br/blog/psa-e-toque-retal-entenda-os-exames-de-rastreamento/

Quando procurar um urologista

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um urologista.