O rastreamento do cáncer de próstata começa com dois exames simples, rápidos e amplamente disponíveis: o teste de PSA no sangue e o toque retal. Apesar da resistência de muitos homens, essas são ferramentas essenciais para a detecção precoce e entender como funcionam é o primeiro passo para cuidar da própria saúde.
O PSA (Antígeno Prostático Específico, na sigla em inglês) é uma proteína produzida tanto por células normais quanto por células cancerosas da próstata. O exame mede a concentração dessa substância no sangue, expressa em nanogramas por mililitro (ng/mL). Historicamente, valores acima de 4,0 ng/mL foram considerados ponto de corte para investigação adicional. No entanto, a medicina moderna reconhece que esse limite é apenas uma referência, não uma linha divisória absoluta.
O que faz o PSA subir?
Diversas condições podem elevar o PSA sem que haja cáncer. A hiperplasia prostática benigna (HPB) crescimento não canceroso da glândula, muito comum com o avanço da idade é uma causa frequente. A prostatite, inflammation ou infecção da próstata, também eleva os níveis. Até mesmo procedimentos como biópsia recente, cateterismo vesical ou ultrassom transretal podem interferir no resultado. Por isso, é fundamental informar ao médico qualquer circunstância que possa afetar o exame.
O toque retal: por que ele importa?
O toque retal consiste na introdução de um dedo protegido por luva no reto, permitindo a palpação da superfície posterior da próstata. O exame dura segundos e, embora possa causar algum constrangimento, é geralmente bem tolerado. Através dele, o urologista consegue avaliar se a próstata apresenta alterações de tamanho, consistência (nódulos endurecidos são especialmente alarmantes) ou dor à palpação.
Estudos mostram que cerca de 25% dos cánceres de próstata são detectados apenas pelo toque retal, com PSA dentro da faixa normal. Por isso, os dois exames são complementares e devem ser realizados juntos durante a consulta de rastreamento.
Quando repetir os exames?
Para homens sem fatores de risco, recomenda-se iniciar o rastreamento aos 50 anos, com PSA e toque retal anuais. Homens com fatores de risco (histórico familiar de cáncer de próstata em parente de primeiro grau ou raça afrodescendente) devem começar aos 45 anos. Após os 75 anos, a decisão de continuar o rastreamento deve ser individualizada, discutida com o urologista, considerando expectativa de vida e condições de saúde geral.
Valores considerados suspeitos
Além do PSA elevado, certos padrões merecem atenção: o chamado “PSA densidade”, que relaciona o nível do PSA ao volume da próstata medido por ultrassom; a velocidade de elevação do PSA ao longo do tempo (quanto mais rápido sobe, maior a suspeita); e a proporção de PSA livre em relação ao PSA total (um PSA livre baixo pode indicar mayor probabilidade de cáncer).
O importante é que a avaliação não se baseia em um único número, mas no conjunto de informações clínicas, laboratoriais e de exame físico. Qualquer resultado que levante suspeita deve ser discutido com o urologista, que poderá solicitar investigações adicionais como ultrassom prostático ou, quando indicado, biópsia.
Leia o artigo anterior desta série: Câncer de próstata: o que é, fatores de risco e prevenção https://urologistadrbrunomuller.com.br/blog/cancer-de-prostata-o-que-e-fatores-de-risco-e-prevencao/
Quando procurar um urologista
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um urologista.