Leia o artigo anterior desta série: Tratamento da HPB: medicações, procedimentos e cirurgia https://urologistadrbrunomuller.com.br/blog/tratamento-da-hpb-medicacoes-procedimentos-e-cirurgia/Quando os medicamentos não são suficientes para controlar os sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna (HPB), a cirurgia se torna uma opção importante. A ideia de passar por uma cirurgia na próstata pode assustar, mas a realidade é que as técnicas modernas são cada vez menos invasivas, com menos dor, menos sangramento e recuperação mais rápida.O objetivo da cirurgia é remover ou reduzir o tecido prostático que está comprimindo a uretra e obstruindo o fluxo de urina. Existem várias técnicas, e a escolha depende do tamanho da próstata, das condições de saúde do paciente e da experiência do cirurgião.RTU (Ressecção Transuretral da Próstata)A RTU é considerada o padrão-ouro no tratamento cirúrgico da HPB. O procedimento é realizado sem cortes externos: um instrumento chamado ressectoscópio é introduzido pela uretra até a próstata, e o tecido que obstrui o canal é removido em pequenos fragmentos.As vantagens da RTU incluem:
Eficácia comprovada no alívio dos sintomas.
Recuperação relativamente rápida.
Sem cicatrizes externas.
Internação curta, geralmente de 1 a 2 dias.
A RTU é especialmente indicada para próstatas de tamanho moderado. Para próstatas muito grandes, outras técnicas podem ser mais adequadas.Cirurgia a laserAs técnicas a laser revolucionaram o tratamento da HPB. Elas utilizam energia luminosa para vaporizar ou remover o tecido prostático com grande precisão. As principais opções são:HoLEP (Enucleação a Laser de Hólmio): remove o tecido prostático em bloco, como se descascasse uma laranja. É eficaz mesmo em próstatas muito grandes e apresenta baixo risco de sangramento.PVP (Fotovaporização a Laser Verde): vaporiza o tecido prostático, abrindo o canal urinário. É uma opção segura, especialmente para pacientes que usam anticoagulantes.As cirurgias a laser geralmente permitem alta hospitalar mais rápida, menos dor e retorno mais ágil às atividades.Outras técnicas minimamente invasivasAlém da RTU e do laser, existem outras opções para casos selecionados:
Embolização da artéria prostática: um procedimento realizado por radiologistas intervencionistas que reduz o fluxo sanguíneo para a próstata, fazendo-a diminuir de tamanho.
Implantes prostáticos (UroLift): pequenos dispositivos que mantêm a uretra aberta, sem remover tecido.
Vaporização bipolar e outros métodos térmicos: utilizam calor para tratar o tecido prostático.
O que esperar da recuperação?A recuperação varia conforme a técnica utilizada e as condições do paciente. Em geral, é comum:
Usar uma sonda urinária por um ou dois dias.
Sentir algum desconforto ou ardência ao urinar nas primeiras semanas.
Observar pequena quantidade de sangue na urina, que tende a desaparecer.
Retomar atividades leves em poucos dias e atividades mais intensas após algumas semanas.
O urologista dará orientações específicas sobre cuidados, medicamentos e retorno às atividades.Riscos e complicaçõesComo qualquer cirurgia, os procedimentos para HPB apresentam riscos, embora sejam geralmente baixos. As complicações possíveis incluem sangramento, infecção, dificuldade para urinar após a retirada da sonda e, em alguns casos, alterações na ejaculação (ejaculação retrógrada, em que o sêmen vai para a bexiga em vez de sair pelo pênis).É importante conversar abertamente com o urologista sobre esses riscos antes de decidir pela cirurgia.Quando procurar um urologistaSe você tem HPB e os sintomas não melhoram com medicamentos, ou se apresenta complicações como retenção urinária, infecções de repetição ou sangue na urina, procure um urologista. A cirurgia moderna é segura e eficaz, e pode devolver sua qualidade de vida.Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um urologista.