Câncer de próstata avançado: tratamento hormonal e quimioterapia

Nem sempre o tratamiento curativo é possível. Quando o cáncer de próstata se ?????????????? beyond a próstata (doença localmente avançada não ressecável) ou apresenta metástases à distância, o objetivo deixa de ser a cura e passa a ser o controle da doença, o alívio dos sintomas e a manutenção da qualidade de vida pelo maior tempo possível. Nesse cenário, duas classes de tratamentos se destacam: a terapia deprivação androgênica e a quimioterapia.

Terapia hormonal: privando o tumor de combustível

A maioria dos cánceres de próstata é dependente de andrógenos — especialmente a testosterona — para crescer. A terapia deprivação androgênica (ADT, do inglês Androgen Deprivation Therapy), também chamada de bloqueio androgênico, busca reduzir ao máximo os níveis de testosterona circulante ou bloquear sua ação nas células tumorais.

Existem duas formas principais de ADT:

— Bloqueio hormonal medicamentoso: análogos do GnRH (como leuprolida, goserelina e triptorelina) administrados por injeção mensal ou trimestral, que suprimem a produção de testosterona pelos testículos. Antiandrógenos (bicalutamida, enzalutamida, apalutamida, darolutamida) são ????? usados em combinação para bloquear os receptores de andrógenos nas células cancerosas.

— Orquiectomia: remoção cirúrgica dos testículos, método simples, definitivo e de baixo custo, que elimina a principal fonte de testosterona. Ainda é considerada uma opção válida, especialmente em contextos de accesso limitado a medicamentos.

Resistência à castração

Apesar da eficácia inicial, a grande maioria dos pacientes em ADT acaba desenvolvendo resistência dentro de 18 a 24 meses — o chamado cáncer de próstata resistente à castração (CPRC). Nessa fase, o PSA começa a subir apesar dos níveis de testosterona serem baixos. A partir daí, novos medicamentos são introduzidos.

Novos agentes hormonais

Medicamentos como enzalutamida, apalutamida, darolutamida e abiraterona representam um avanço significativo no tratamento do CPRC. Atuam em diferentes pontos da via de sinalização androgênica e demonstraram aumento expressivo da sobrevida em estudos clínicos. Também há indicação crescente de usá-los em combinação com ADT em fases mais precoces da doença metastática.

Quimioterapia

A quimioterapia é reservada para doença metastática resistente à castração, especialmente em pacientes com carga de doença elevada ou sintomática. O esquema mais utilizado é docetaxel combinado com prednisona, que demonstrou melhora na sobrevida global e no controle de sintomas. Mais recentemente, o cabazitaxel foi aprovado para linhas subsequentes de tratamento.

Além disso, o tratamento de doença óssea metastática inclui bifosfonados (ácido zoledrônico) e denosumabe, para reduzir complicações esqueléticas como fraturas, compressão medular e necessidade de radioterapia óssea.

Alfa-rádio 223 (Ra-223)

Indicado especificamente para CPRC metastático ósseo sem doença visceral (em outros órgãos), o Ra-223 é um radioisótopo que se acumula nas lesões ósseas e emite radiação alfa de curto alcance, destruindo as células tumorais com menor dano ao tecido adjacente. É um tratamento que demonstrou aumento da sobrevida e melhora da qualidade de vida.

O tratamento é sempre individualizado e feito em equipe multidisciplinar. O acompanhamento regular permite ajustar a terapia conforme a evolução da doença e a tolerabilidade do paciente.

Leia o artigo anterior desta série: Cirurgia para cáncer de próstata: prostatectomia radical — https://urologistadrbrunomuller.com.br/blog/cirurgia-para-cancer-de-prostata-prostatectomia-radical/

Quando procurar um urologista

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um urologista.