Quando falamos em tratamento cirúrgico do cáncer de próstata, referimo-nos à prostatectomia radical a remoção completa da próstata e das vesículas seminais, accompanied by, quando indicado, retirada dos linfonodos pélvicos. É uma das modalidades terapêuticas com maior potencial curativo para doença localizada e localmente avançada. Vamos detalhar o procedimento, as abordagens cirúrgicas e o que esperar no pós-operatório.
Indicações
A prostatectomia radical está indicada para homens com tumor confinado à próstata ou com extensão mínima (doença localmente avançada em casos selecionados), com expectativa de vida superior a 10 anos e sem contraindicações importantes à cirurgia. A decisão considera a classificação de risco do tumor e as características individuais do paciente.
Abordagens cirúrgicas
Prostatectomia aberta retropúbica: a técnica tradicional, com incisão no abdome inferior. Permite excelente visualización do campo operatório e é widely utilizada em centros sem acesso a tecnologia robótica.
Prostatectomia laparoscópica: realizada por pequenas incisões através das quais são introduzidos instrumentos e uma câmera. Oferece menor sangramento e recuperação mais rápida que a via aberta, porém exige grande habilidade cirúrgica.
Prostatectomia robótica: hoje a abordagem mais utilizada nos grandes centros. O cirurgião opera através de um console que controla braços robóticos com movimentos de alta precisão. A visão tridimensional ampliada permite excelente identificação das estruturas especialmente os feixes neurovasculares responsáveis pela ereção e o esfíncter urinário externo. Associada à preservação dessas estruturas quando oncologicamente segura, resulta em melhores desfechos funcionais.
Preparo e internação
Antes da cirurgia, são solicitados exames pré-operatórios habituais, avaliação cardiológica e jejum. A internação costuma durar de 1 a 3 dias. Na grande maioria dos casos, é colocado um dreno na pelve e uma sonda vesical que permanece por 7 a 14 dias após o procedimento.
Complicações possíveis
Como toda cirurgia de grande porte, a prostatectomia radical apresenta riscos: sangramento intra e pós-operatório, infecção do sítio cirúrgico, trombose venosa profunda, lesão retal (raro, mas possível dado à proximidade anatômica) e complicações anestésicas. A taxa de mortalidade perioperatória é inferior a 1% em centros experientes.
Efeitos colaterais funcionais
Disfunção erétil: a preservação dos feixes neurovasculares permite, em muitos pacientes, a recuperação da função erétil ao longo de 12 a 24 meses, especialmente quando o paciente é jovem e o tumor não infiltra essas estruturas. Medicamentos orais (inibidores da fosfodiesterase tipo 5), injeções intracavernosas e dispositivos de vácuo podem auxiliary no processo de reabilitação.
Incontinência urinária: a perda urinária pode ocorrer nos primeiros semanas a meses, mas a grande maioria dos homens recupera continência plena ou satisfatória dentro de 6 a 12 meses, com auxílio de fisioterapia do assoalho pélvico. Casos de incontinência persistente são raros e podem exigir procedimentos complementares.
Margens cirúrgicas positivas
O laudo anatomopatológico pode revelar que as margens da peça cirúrgica estão comprometidas por células tumorais (margem positiva), o que indica maior risco de recorrência. Nesses casos, pode ser indicada radioterapia adjuvante ou de resgate.
Leia o artigo anterior desta série: Câncer de próstata localizado: opções de tratamento https://urologistadrbrunomuller.com.br/blog/cancer-de-prostata-localizado-opcoes-de-tratamento/
Quando procurar um urologista
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Em caso de sintomas, procure um urologista.